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sábado, 26 de janeiro de 2013

Palavrões no Rádio PX

Disputando espaço com outros meios de comunicação móvel, o rádio PX ainda se mostra eficiente e tem seus fãs, mas não está livre de críticas sobre a forma como tem sido utilizado pelos motoristas de caminhão que utilizam palavreado pesado e de pouca importância.


Companheiro inseparável da grande maioria de carreteiros que trafega nas estradas brasileiras, o rádio PX - transceptor de rádio que opera na faixa dos 11 metros - vai aos poucos perdendo lugar para o telefone celular, que se torna cada vez mais eficiente nas comunicações com a empresa, busca de cargas ou nas ligações para a família. Mesmo necessitando licença especial da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) para funcionamento e operação, é difícil encontrar no trecho alguém que esteja legalmente habilitado, embora essa licença possa ser tirada até mesmo pela Internet. Além disso, em 32 anos de liberação da faixa dos 11 metros no Brasil, ao que parece os motoristas de caminhão desvirtuaram a meta principal das comunicações nas estradas, de prestar informações ou auxílio em caso de emergências, transformando-se em local de conversas sem sentido e com o uso excessivo de palavrões, impróprios para carreteiros que viajam com a família. Apesar disso tudo, o rádio PX resiste.

Para Erivelto Veríssimo, o uso do rádio PX deve ser consciente para que o aparelho
não se torne tão arriscado quanto é falar ao celular e dirigir ao mesmo tempo.
O carreteiro Erivelto Verissimo da Silva, 34 anos, 15 de profissão, natural de Volta Redonda/RJ, não gosta de rádio PX no caminhão, pois considera perigoso e ilegal. Acredita que o uso deveria ser mais consciente pois se torna tão arriscado quanto dirigir falando ao celular. Por isso, optou por não ter o aparelho na cabine. Dentro ou fora do país utiliza o telefone celular nas viagens sem problemas. Algumas vezes a comunicação é feita pelo teclado do rastreador, mas não é sempre que funciona, diz ele. Lembra que já utilizou PX no passado, porém, decepcionado, desistiu. Agora só se comunica pelo celular, utilizando chips diferentes, de acordo com o país por onde viaja.

Em outro emprego, quando viajava com a esposa, o carreteiro Daniel da Silva Cardoso 
não podia ligar o rádio PX por causa do palavreado vulgar e agressivo.

O baixo nível das conversas entre os motoristas de caminhão nos contatos feitos pelorádio PX fez com que o estradeiro Daniel da Silva Cardoso, 30 anos e 10 de direção - natural de Lages/SC - também preferisse o uso do telefone celular nas comunicações com a empresa ou com a família quando está no trecho. Ele comenta que onde trabalha não é permitido viajar com a família. Porém, num emprego anterior, quando viajava com a mulher e filhos, não podia ligar o rádio por causa da linguagem utilizada pelos colegas de estrada, com um palavreado vulgar e agressivo.

Fagner Crestani usa o PX para obter informações sobre as estradas ou cargas, 
mas em suas comunicações com a família e empresa prefere telefone ou MSN.

Cardoso ficou também decepcionado com o rádio, embora tenha esperança de comprar um aparelho moderno, potente e que transmita em canais diferentes dos utilizados pela maioria dos carreteiros. Lembra, com saudade, das "rodadas" com amigos em que falavam de assuntos sérios, do trabalho, condições das estradas, acidentes na rodovia, advertências sobre trechos ruins e até de fiscalização policial. Lembra-se de uma tentativa de assalto a um motorista, nas proximidades de Sergipe, que falava ao rádio quando pressentiu o ataque e avisou o que estava acontecendo. Os demais motoristas que estavam na mesma frequência avisaram a polícia a tempo de prenderem os criminosos e evitar a consumação do assalto. "Tudo graças ao rádio PX", salienta. Segundo ele, a má utilização, os altos custos para a compra de bons aparelhos e a burocracia para a obtenção da licença emperram um uso maior e melhor dos rádios PX no Brasil, muito embora a grande maioria dos motoristas de caminhão não dispense esse tipo de equipamento.

Decepcionado com o nível das conversas dos colegas pelo PX, e acostumado 
a viajar com a esposa, Luiz Tavares decidiu tirar o aparelho da cabine.

Utilizando um rádio pequeno e de pouca potência, Fagner Crestani da Silva, 29 anos de idade e 10 de volante - natural de Manoel Viana/RS - não tem licença para operar o equipamento, também nunca foi incomodado nas fiscalizações policiais. Dono de uma carreta com cavalo-mecânico ano 90, ele viaja na rota entre São Paulo/BR, e Argentina e Chile e se comunica normalmente com a família e com a empresa por telefone público. Também utiliza MSN, quando o assunto é mais rápido ou só para dizer que chegou bem ao destino. Ele sabe que precisaria de uma licença para operar o rádio PX, "mas, como é muito fraquinho, vai levando". Costuma falar com os colegas de estrada até a distância de uns quatro ou cinco quilômetros, sempre para informações sobre o trecho ou fazer algum comentário sobre a viagem, a carga ou apenas para "bom dia, boa viagem, vai com Deus".

Admirador do rádio PX, Marcos José Marengo reconhece que a maioria 
só fala bobagem, mas não consegue viajar com o aparelho desligado.

Decepcionado com o baixo nível das conversas dos colegas de estrada pelo rádio PX", Luiz Tavares, 53 anos, 30 de profissão, natural de Pelotas/RS, decidiu "sacar fora o equipamento da boleia" e parar de se irritar ao ouvir tantas asneiras ditas por homens adultos e profissionais conscientes, conforme diz. Ainda mais que costuma viajar com a mulher, Neli Vieira Cézar, 53 anos. Ela, aposentada e com os filhos criados, gosta de acompanhar o marido no trajeto de 750 quilômetros que ele costuma fazer entre Rio Grande/RS e Itaqui/RS transportando arroz ou farelo de arroz. Concorda que o rádio pode ser muito útil para o estradeiro para conversas sérias, informações sobre cargas, condições da pista ou de eventuais acidentes no trecho. "O que tem se escutado ultimamente é muita bobagem, palavrões e até ofensas pessoais", comenta. Quando não estão juntos, Luiz e Neli, se comunicam diariamente pelo celular, que também é utilizado para os contatos com a empresa ou para acertos de cargas ou de viagens. Enfim, o rádio PX não faz falta e preferem conversar entre eles ou ouvirem música, afirmam.

Casada com o carreteiro Ricardo Batista, que roda pelo Mercosul, Mônica Brites conta que 
o PX é muito útil no Peru, onde tem muitas estradas estreitas e cheias de curvas.

O carreteiro Marcos José Marengo, o Marquinhos como é conhecido no trecho, tem 31 anos de idade e 10 de profissão. Natural de Erexim/RS ele transporta arroz e autopeças entre Uruguaiana/RS e São Paulo/SP. Confessa ser um grande admirador do rádio PX e não consegue imaginar uma viagem sem o aparelho estar ligado para ouvir a conversa dos colegas de estrada, embora admita que a maioria só fala bobagem. "Tem muita gente falando besteira", diz. A mulher dele, Graziela, que o acompanha em algumas viagens com o filho Bernardo, de um ano de idade, reforça que às vezes é preciso diminuir o volume ou desligar o rádio por causa das bobagens que os motoristas falam no ar. "Coisa que não dá pra repetir, muitos palavrões, muitas bobagens", reforça. Mas, apesar de tudo, Marquinhos continua gostando do rádio e da companhia dos amigos. Para ele, sempre é muito útil e mesmo com todas as bobagens os motoristas sempre se ajudam em caso de necessidade.

Motorista de uma prancha de 22 metros na qual transporta chassi de caminhão para Lima/Peru, Ricardo Batista de Souza, 41 anos e 18 de profissão, tem um chip de celular de cada um dos países por onde trafega, para que as ligações para casa fiquem mais baratas. Ele liga todas as noites para falar com a esposa e sua "princesinha" Vitória Aparecida, sete anos, e os filhos Luís Ricardo, 20, e Eduardo, 14. Falam por cerca de 10 minutos e fica sabendo de todas as novidades da casa, da escola dos filhos e, enfim, da família. Também, é claro, fala sobre a viagem.

Sua esposa, Mônica Brites de Souza, 40 anos, natural de Uruguaiana/RS, com quem está casado há 22 anos, e com quem tem três filhos, conhece bem a vida na estrada e as dificuldades que o motorista passa nas viagens longas. Ela, que acompanhou na boleia durante muito tempo nas viagens, conta que na Argentina e Peru o rádio PX só é utilizado para orientação dos motoristas da empresa, que costumam viajar em comboios de cinco ou seis caminhões.

Mônica acrescenta que o aparelho é muito útil principalmente no Peru, onde as estradas são estreitas e com muitas curvas. Ela mostra um vídeo gravado numa das viagens feitas com o marido, no qual é possível ouvir o diálogo dos motoristas pelo rádio falando sobre as condições da estrada e de caminhões grandes que trafegam em sentido contrário e que podem se constituir em perigo nas curvas. "Aí sim o rádio é indispensável", salienta.

Porém, não deixa de citar que no Brasil é um desastre ficar com o rádio PX ligado, principalmente na região metropolitana de Curitiba/PR. Ela conta que além do baixo nível das conversas entre os motoristas, muitas prostitutas da região utilizam o aparelho na busca de clientes. "Daí a baixaria corre solta", salienta. Nunca pensou em ter rádio instalado em casa, pois além do custo do equipamento e da licença, também se corre o risco de nem sempre conseguir contato com pessoa que está viajando por conta das limitações da frequência.

Texto e Fotos Evilazio Oliveira

domingo, 27 de novembro de 2011

Radioamador

Olá pessoal há dias venho pensando em fazer uma matéria sobre o radioamador.

Há anos uso o Rádio PX em minhas viagens de trabalho. Mas, recentemente, venho observando e me interessando pelo uso do radioamador nas trilhas off-road e rallys. Pesquisei e descobri que nas grandes tragédias mundiais no Brasil e no mundo as sociedades civis costumam se organizar com apoio de radioamadores... entre outros descobri uma série de coisas que resolvi compartilhar com vocês:

O objetivo do radioamador é a intercomunicação, instrução pessoal e os estudos técnicos, sem fins lucrativos. De acordo com a Anatel - Agência Nacional de Telecomunicações - para se tornar um radioamador é necessário autorização, que depende da prévia verificação da capacidade operacional e técnica do interessado, observado através de exames. Com base no resultado dos testes, o radiamador é incluído nas classes A, B, C ou D.


A Licença de Funcionamento de Estação de Radioamador é documento obrigatório que autoriza a instalação e o funcionamento de estação de radioamador. Para a obtenção da licença deve-se comprovar o recolhimento de R$ 32,52 para cada estação fixa; R$ 32,52 para cada estação repetidora e R$ 26,83 para cada estação móvel. Além disso, deverão ser pagos os encargos referentes à execução do serviço e o direito da radiofrequência.

Os interessados em fazer o exame de radioamador devem procurar as diretorias do Labre (Liga Brasileira de Radioamadores), nas capitais dos Estados, ou nos escritórios/unidades operacionais da Anatel para verificar o calendário anual de realização de testes para obtenção do Certificado de Operador de Estação de Radioamador – COER. Para obter o COER não existe qualquer despesa.

Classe A - acesso restrito ao radioamador classe “B”, após decorridos um ano da data de expedição do certificado COER - Certificado de Operador de Estação de Radioamador na classe “B”;
Classe B – menores de 18 anos, após terem decorrido dois anos da data de expedição do COER - Certificado de Operador de Estação de Radioamador classe “C”; ou maiores de 18 anos, em qualquer hipótese;
Classe C – maiores de 10 anos, aprovados nos testes de Técnica e Ética Operacional e Legislação de Telecomunicações;Transmissão e Recepção Auditiva de Sinais em Código Morse;
Classe D - maiores de 10 anos, aprovados nos testes de Técnica e Ética Operacional e Legislação de Telecomunicações. 

A licença será concedida apenas nos seguintes casos:
• A brasileiro e maior de 10 anos cabendo aos pais ou responsáveis a responsabilidade de atos ou omissões do menor. 
• Aos portugueses que tenham obtido o reconhecimento de igualdade de direitos e deveres para com os brasileiros. 
• A estrangeiros, funcionários de organismos internacionais, dos quais o governo brasileiro participe, desde que estejam prestando serviços no País. 
Para saber quais rádios estão homologados pela Anatel basta ligar para (61) 312-2318 ou 312-2613. Mais informações no site www.anatel.gov.br

Talvez seja necessário aqui lembrarmos de alguns termos e aprender outros.
PX: Prefixo da licença concedida a operadores da "Faixa do Cidadão"
Faixa do Cidadão: Intervalo de frequência de 26,9 a 27,6 Mhz, também denominada 11 metros (300.000 dividido pela frequência).
PY: Prefixo da licença concedida a Radioamadores classe A ou B.
Radioamador: Operador licenciado pela Anatel para utilizar diversas faixas de frequência. As faixas de frequência são atribuidas conforme a classe do Radioamador, sendo que para cada classe é feito um exame de avaliação com conhecimentos específicos.
VHF: Very High Frequency, utilizada geralmente para identificar a faixa de frequencia de 144 a 148Mhz, também denominada 2 metros. Esta é a faixa de entrada do Radioamador, pois a primeira fase de exames irá fornecer qualificação e licença para operar nos 2 metros, além das faixas de 6 metros, 1,3 metros e 0,7 metros, esta última conhecida como UHF.
Repetidora: Equipamento mantido por radioamadores, de forma totalmente filantrópica, que permite a duas estações se comunicarem atráves dela, aumentando assim a distância de alcance na comunicação.

Então, o que normalmente se chama de PY nada mais é do que o prefixo de um Radioamador licenciado pela Anatel, que após prestar vários exames e testes como o uso de código, é habilitado para operar em todas as faixas de frequência reservadas para a comunicação de rádio. Já o serviço de rádio do cidadão, ou PX como é conhecido, continua como uma opção de localização, segurança e um meio para conversar com os colegas de profissão.

Veja abaixo alguns links interessantes sobre o assunto:
Consulta de rádios homologados : http://sistemas.anatel.gov.br/sgch/?SISQSmodulo=840&SISQSsistema=173
Apostilas para o exame : http://www.py2gea.com.br/diversos/examesgea/exames_de_radioamador.html
Apostila com testes no final (excelente) : http://www.py2mao.qsl.br/download/manual_radioamador.doc
Site de Radioamador.com : http://www.radioamador.com/
RigPix database de modelos de rádios : http://www.rigpix.com/index.shtml
Loja confiável para comprar seu rádio VHF : http://www.radiohaus.com.br/
Dicas do PY2MAO : http://www.py2mao.qsl.br/artigos/comoserradioamador.asp
Cadastro de repetidoras : http://www.radioamador.com/vhf/repetidoras.asp

Fontes: http://www.ocarreteiro.com.br/article.php?recid=3263
            http://www.acunha.adm.br/amigos/Radioamador/index.htm