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quarta-feira, 25 de março de 2020

Grandes Brasileiros: Toyota Bandeirante

Adoro este carro!

Rude e conservador como ele só, resistiu na estrada - e fora dela - por mais de quatro décadas

Forte, grande e alto, ele não veio a passeio. Guincho elétrico era opcional (Christian Castanho/)

“O Toyota Bandeirante foi construído para durar longos anos produzindo lucros para seu proprietário.” A frase, que constava do manual do proprietário, não chegou a ser desmentida pelos donos do carro, que tinha fama de poder rodar 1 milhão de quilômetros sem abrir o motor. Seu nome indicava que não havia tempo ruim – e muito menos caminho – que pudesse deter o utilitário.

Bem antes de ser feito no Brasil, o jipe já era conhecido nosso. Os primeiros chegaram no início dos anos 50, importados e montados pela Alpagral. No início de 1958, a Toyota do Brasil assumiu a montagem em CKD dos Land Cruiser, nome pelo qual seus jipes eram conhecidos no mundo.

Naquela fase, o motor era um seis-cilindros a gasolina, substituído três anos depois pelo diesel Mercedes-Benz OM-324. Em maio de 1962, já batizado como Bandeirante, passou a ser fabricado no Brasil.

Mecânica robusta e simplificada facilitava a manutenção (Christian Castanho/)

A produção da carroceria, terceirizada, era feita na Brasinca, até 1968. O teto de lona era opcional, assim como a capota de aço, vendida a partir de 1963, semelhante à do modelo das fotos, um Bandeirante 1979. Também em 1963 foi iniciada a produção da versão picape.

O Bandeirante impressionava pelo porte maior que o do jipe Willys e pela austeridade de suas linhas. Era força em estado puro.

Estepe sob a carroceria libera espaço no porta-malas (Christian Castanho/)

Das quatro marchas, em condições normais o motorista só utilizava três, sendo que apenas duas eram sincronizadas (a terceira e a quarta). A primeira, curtíssima (5,41:1), concede ao jipe a força de um cabeludo Sansão, mas é perda de tempo na hora de embalar o veículo.

Na prova de aceleração, parte do teste publicado na edição de setembro de 1978, a primeira marcha foi descartada ao longo dos 29,7 segundos gastos para sair da imobilidade e atingir os 100 km/h. A velocidade máxima manteve a coerência e não passou dos 107 km/h.

Certas características, inaceitáveis em outras categorias, não chegam a tirar pontos do Bandeirante. Depois de escalada a cabina e acionado o motor, os ocupantes eram recebidos com “aquela” vibração pelo diesel.

O volante era grande e tinha empunhadura fina (Christian Castanho/)

Instrumentos agrupados bem em frente ao motorista (Christian Castanho/)

A folga na direção vinha de “série”, ao contrário do isolamento acústico: passageiros sacolejavam involuntariamente ao ritmo da batida tecno do motor. Mas ninguém podia reclamar. Que não se esperassem mesuras dele: bastava olhar sua cara para entender seu caráter.

Ao volante do modelo 1979, a sensação é semelhante à de pilotar um antigo caminhão: do ruído funcional à rudeza da suspensão, ele está mais para um cargueiro que para um automóvel. Mas engana-se quem acha que o jipe seja difícil ou desagradável de conduzir. Seu câmbio é preciso e os pedais são macios (a embreagem tem acionamento hidráulico).

Apenas o comando do freio – a tambor nas quatro rodas, sem servo – desempenha sob pressão. A adoção de discos nas rodas dianteiras só viria na terceira idade do jipe, em meados dos anos 90.

Com o banco do passageiro dianteiro mais largo, espaço para até seis pessoas (Christian Castanho/)

Atrás, tampa de abre para o lado
 Atrás, tampa de abre para o lado (Christian Castanho/)

O câmbio foi alterado em 1980. Com uma segunda mais longa, a primeira passou a ser incorporada no uso urbano do utilitário, que ganhou também uma caixa de transferência, à semelhança do concorrente Willys.

Em 1994, o Bandeirante voltou às origens e recebeu um motor Toyota importado, uma evolução em relação ao OM-364, adotado desde o fim da década de 80. Mais potente que o Mercedes-Benz (96 cavalos a 3400 rpm, ante 90 cavalos a 2800 rpm), a mudança não chegou a ser aplaudida por todos os toyoteiros.

Muitos trocariam de bom grado os 6 cavalos a mais e a maior suavidade de funcionamento pela durabilidade e facilidade de manutenção do velho MB, que contava com o apoio da rede de concessionárias da marca. Isso sem falar no torque abundante em baixa rotação do motor nacional.

Mais de quatro décadas não provocaram mudanças significativas no Bandeirante. O conservadorismo pode ser explicado por sua boa aceitação no mercado – pretendentes chegavam a enfrentar meses de fila. Algumas poucas concessões foram opções de chassis mais longos, além de leves alterações, tanto estéticas como mecânicas. Mas nada que mudasse significativamente o projeto original.

Em 43 anos foram produzidas 103.750 unidades, sem contar os Toyota que foram montados em sistema CKD, que não somaram 1.000 exemplares.

Imagem e ação

(Pedro Rubens/)

A cena acima foi produzida em 1989 para mostrar as possibilidades de uma foto feita em estúdio. Sem usar recursos digitais, o então fotógrafo Pedro Rubens transformou um jipe parado numa convincente imagem de ação. Depois a foto foi usada numa campanha da fábrica – e até hoje é lembrada pelos fãs do carro.

Teste QUATRO RODAS – setembro de 1978
  • Aceleração 0 a 100 km/h: 29,7 s
  • Velocidade máxima: 106,6 km/h
  • Frenagem de 80 km/h a 0: 56,1 m
  • Consumo: 9 km/l na estrada
  • Preço (agosto de 1978): Cr$ 160.800
  • Preço (atualizado IGP-DI/FGV): R$ 116.422
Ficha técnica
  • Motor: dianteiro, 4 cilindros em linha, 3.784 cm3, diesel
  • Diâmetro x curso: 97 x 128 mm
  • Taxa de compressão: 17:1
  • Potência: 95,3 cv a 2.800 rpm
  • Torque máximo: 26 mkgf a 1.800 rpm
  • Câmbio: manual de 4 marchas, apenas 3ª e 4ª sincronizadas, tração 4×4
  • Carroceria: de aço, com teto rígido opcional
  • Dimensões: comprimento, 383 cm; largura, 166 cm; altura, 195 cm; distância livre do solo, 21 cm
  • Peso: 1580 kg (capota de lona)
  • Suspensão: dianteira e traseira com feixes de mola semi-elípticos e amortecedores hidráulicos de dupla ação
  • Freios: a tambor nas 4 rodas

quarta-feira, 18 de março de 2020

Coronavírus (e outras gripes) pode ser evitado no carro: veja

Limpeza do interior do carro pode ser feita em casa para evitar propagação da doença

Com a epidemia mundial do coronavírus e mais de uma centena de casos confirmados no Brasil, a OMS (Organização Mundial da Saúde) bem como o Ministério da Saúde recomendam cuidados especiais para evitar o alastramento da doença. Dentro do carro, companheiro do dia a dia de milhões de brasileiros, o ambiente também é propício para a contaminação a não ser que se tomem alguns cuidados.

A oficina A.M.Marcelo especializada em veículos premium, localizada em São Paulo, divulgou algumas informações importantes a respeito dos cuidados com a limpeza e higienização do veículo. 

Veja como fazer você mesmo essa limpeza:

Limpar áreas de contato é importante usando produtos como álcool isopropílico, por exemplo

1 - Higienizar a parte interna do carro com aspirador, limpar os bancos com produtos específicos, focando na sujeira que acumula nas costuras e dobras; É possível fazer esse trabalho em casa ou contratar empresas especializadas que utilizam produtos bactericidas e fungicidas;


2 - Manter sempre limpo os locais onde mais colocamos as mãos como maçanetas, câmbio, botões de vidros e retrovisores e principalmente o volante e a tela multimídia, usada sucessivas vezes bem como o console que tem mais botões, a alavanca do freio de estacionamento e porta-objetos.

3 - Deixar um frasco de álcool em gel em um local de fácil acesso para você e os passageiros utilizarem ao entrar no veículo. Carros de aplicativo e taxis também devem oferecer o produto para a higienização

4 - Ao entrar do carro limpar as mãos usando álcool em gel 70%, capaz de eliminar bactérias e vírus de síndromes respiratórias como o coronavírus. Ao sair e deixar a direção, lavar as mãos e até o rosto são medidas eficazes da mesma forma;

Troca do filtro de cabine também ajuda a filtrar sujidades externas que podem invadir o carro

5 - Limpar a superfície do painel, do volante, de todo o acabamento com álcool isopropílico, que não danifica os plásticos e elimina o vírus. O mesmo produto pode ser usado para limpar o celular, que geralmente é conectado ao carro;

6 - Manter os vidros fechados com o ar condicionado ligado é uma medida recomendada porém é preciso fazer a limpeza do sistema e trocar o filtro de pólen (ou de cabine) garantindo a filtragem das impurezas do ambiente;

7 - Ao transportar alguém no veículo, pedir que as mesmas medidas de higienização sejam tomadas: limpar as mãos com álcool, ao tossir e espirrar usar um lenço e descartar esse material rapidamente em um lixo sem tocá-lo;

Limpeza com produto em spray ajudam a remover sujeira, bactérias e fungos do interior do carro

8 - Bancos e carpetes podem ser limpos com produtos do tipo spray com alvejantes ou amoníaco. No entanto, eles são eficazes apenas se aplicados e removidos com um segundo pano seco. Do contrário, vírus e bactérias podem resistir à superfície. Na dúvida, uma solução de água e sabão neutro já resolvem da mesma forma e podem ser aplicados em casa. O critério de limpeza e remoção são os mesmos;

Quando fazer?

Limpeza interna, álcool em gel e produto em spray para carpete: aliados da boa saúde

“Neste período de maior contágio recomendamos a higienização interna e do ar condicionado como primeira medida, mas ao longo do tempo, a limpeza com álcool isopropílico ou mesmo água e sabão já ajudam muito a desinfetar o ambiente do automóvel”, reforça Matteo Petriccione, diretor da A.M.Marcelo. O empresário completa: “Estamos orientando os nossos clientes a deixarem um frasco de álcool em gel dentro do carro, lenços de papel etc, mas a higienização do ar condicionado é prioridade, já que a proliferação das bactérias e fungos ocorrem no filtro de ar, se ele estiver sujo. O ideal é fazer a limpeza a cada seis meses ou pelo menos uma vez por ano”.

quarta-feira, 11 de março de 2020

Motoqueiro ou motociclista? Entenda de uma vez por todas!

Você é um motoqueiro ou motociclista? Essa é uma das maiores discussões do mundo das duas rodas. Essa pergunta gera muita polêmica, pois existem várias explicações que esclarecem o uso de um ou de outro termo, sendo que para muitos a diferenciação está na forma de uso do veículo.

Para desvendar o mistério que rodeia essa pergunta, separamos algumas diferenças entre os termos. Confira!


Como surgiu a discriminação?

A discriminação começou nos anos de 1980. Até então, o termo motoqueiro não tinha nada de pejorativo. Tudo mudou quando uma revista iniciou uma campanha para desassociar uma profissão recém-criada — motofretistas — dos demais que utilizavam a moto como meio de transporte e lazer.

Assim, o termo ficou conhecido como uma maneira de identificar os bons dos maus pilotos no trânsito. Surgiu, desse modo, a diferença entre motoqueiros e motociclistas. A campanha mostrou que os motoqueiros tinham mau comportamento e os motociclistas teriam boas condutas, utilizando suas motos grandes e caras como meio de lazer e transporte de luxo.

O que é um motociclista?

O motociclista é o indivíduo apaixonado por motos! Para ele, a motocicleta é mais que um meio de transporte, é um estilo de vida, uma forma de lazer e de aproveitar os bons momentos.

É o piloto que utiliza o seu veículo de modo seguro, é educado e obedece às leis de trânsito. Pode passar horas lavando e encerando sua companheira de viagem, caso veja uma poça d’água, é provável até que mude de trajeto para não sujá-la.

Geralmente, compartilham sua paixão com outros motociclistas como membros de moto clubes e consideram todos como uma grande família.

O que é um motoqueiro?

O motoqueiro tem o estigma de ser o lado negativo de quem pilota uma moto. São conhecidos por serem arrogantes, por não respeitarem os outros veículos e muito menos as leis. Além disso, trafegam sem respeitar outros motoristas e são acusados de chutar retrovisores e arranhar carros, provocando prejuízos.

Nos Estados Unidos, os motoqueiros estão associados às gangues, sendo responsáveis, muitas vezes, por promover rixas entre os grupos e, assim, resultando até mesmo em prisões. No Brasil não existem esses grupos, entretanto, as más ações ocorrem de forma isolada nos grandes centros urbanos.

Você é um motoqueiro ou motociclista?

No dicionário, as palavras motoqueiro e motociclista são sinônimos, ou seja, têm o mesmo significado. Na realidade, o que diferencia as pessoas ou grupos são as atitudes.

Portanto, independentemente do termo que você prefira usar, seja um bom piloto, respeite as leis, seja educado. Em nosso país o trânsito, por si só, já é violento, não precisamos torná-lo pior, não é mesmo?

Voltando ao significado dos termos motoqueiro ou motociclista, esse pensamento de que um é bandido e o outro é o mocinho, não procede. Tudo não passou de uma campanha de marketing por uma imprensa preconceituosa e desinformada. O que existe são bons e maus pilotos.

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quarta-feira, 4 de março de 2020

CORONAVÍRUS: tire todas as suas dúvidas e saiba como se prevenir contra a doença

O mundo está em alerta e não se fala em outra coisa a não ser sobre o coronavírus. Segundo o Ministério da Saúde, trata-se de uma família de vírus que causa infecções respiratórias. O novo agente do coronavírus foi descoberto no fim do ano passado após casos registrados na China. A doença também é denominada de COVID-19.


Recentemente, o Ministério da Saúde elaborou uma lista com 16 países onde há possibilidade de transmissão: Itália Austrália, China, Coreia do Sul, Coreia do Norte, Camboja, Filipinas, Japão, Malásia, Vietnã, Singapura, Tailândia, Alemanha, França, Irã e Emirados Árabes Unidos.

O Brasil já tem dois casos de coronavírus confirmados. Na última terça-feira (25), um homem, de 61 anos, residente em São Paulo, com histórico de viagem para a Itália, na região da Lombardia (norte do país), a trabalho e sozinho, no período de 9 a 21 de fevereiro. Já o segundo caso da doença foi confirmado no sábado (29), pela Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo. O paciente esteve em Milão, na Itália, na última quinta-feira (27). O homem, de 32 anos, tem um quadro leve e estável. Ele foi colocado em isolamento domiciliar, juntamente com a mulher, com quem viajou. Ela não apresentou sintomas.

A IstoÉ conversou com Tassiana Rodrigues dos Santos, médica infectologista pela Unesp com pós-graduação em controle de infecção hospitalar, que esclareceu dúvidas sobre o vírus e deu dicas de como a população deve se previnir. Confira!

Quais são os sintomas?
Os sinais e sintomas são semelhantes aos de uma gripe: febre, tosse, falta de ar, dor de garganta e fraqueza. A maioria dos casos é leve, sem grandes consequências, porém existe a possibilidade de complicações pulmonares, principal causa de óbito relacionada.

Como o coronavírus é transmitido?
Sua transmissão ocorre por gotículas respiratórias: espirro, tosse, contato pessoal próximo, contato com superfícies contaminadas. Sabe-se que a transmissão pode ocorrer antes dos primeiros sintomas, e o tempo para que a infecção se manifeste pode durar até 14 dias, período em que as pessoas que tiveram contato com um paciente confirmado devem ser monitorizadas.

Como prevenir?
Mesmo ainda não tem tendo vacina ou tratamento específico, existem várias medicações que têm mostrado benefícios em alguns estudos. A infectologista deu dicas de como podemos nos prevenir e tomar os cuidados necessários para não adquirir a doença. Ela ainda ressalta que cada caso deve ser individualizado e que a prevenção é a melhor medida para barrarmos o ciclo desse vírus.
  • Antes de tudo, higienize suas mãos. Lave adequadamente e múltiplas vezes durante o dia
  • Álcool gel também é eficaz, sempre que cumprimentar alguém ou pegar em superfícies potencialmente contaminadas
  • Utilize lenço descartável para higiene nasal, e não esqueça de lavar as mãos após tossir ou espirrar
  • Evite tocar mucosas (olhos, nariz e boca)
  • Não compartilhe objetos de uso pessoal
  • Limpe regularmente o ambiente e mantenha-o sempre ventilado
  • Evite deslocamentos e aglomerações se estiver doente
  • Evite contato próximo com pessoas sintomáticas
  • Não visite recém-nascidos, gestantes, pacientes fragilizados e pessoas idosas se você estiver com sintomas. Isso serve para qualquer infecção
  • Mantenha hábitos saudáveis: hidratação, alimentação e atividade física regular
  • Vacine-se e vacine seus filhos para outras doenças, não é hora de esquecermos que outros vírus também estão circulando
  • As máscaras cirúrgicas devem ser usadas como bloqueio na transmissão do vírus por uma pessoa já doente, cessando assim a passagem para a população geral
  • Se você quer usar máscara mesmo assintomático, tudo bem, mas fique atento para que ela não dê a “falsa” sensação de proteção, deixando de lado outros pontos importantes, como a lavagem das mãos e superfícies
  • Se você vai viajar ou vai para áreas potenciais de risco, converse com seu médico sobre qual é a ideal proteção na sua situação
A Infectologista ainda fez um alerta para cuidados redobrados com os idosos. “Apesar de estarmos diante de uma possível pandemia, a letalidade geral se encontra em torno de 2-3%, mais baixa que muitos outros vírus com os quais já estamos acostumados (sarampo por exemplo). A maioria dos óbitos ocorreu em pacientes idosos e com alguma comorbidade. Isso só reforça a importância dos cuidados preventivos principalmente nesse grupo. Outras populações classicamente consideradas de risco para quadros virais são: crianças menores de 2 anos, gestantes, pacientes com algum grau de imunossupressão, hipertensão, problemas pulmonares e oncológicos”, concluiu Tassiana Rodrigues dos Santos, médica infectologista pela Unesp.